Hidrofilia das tintas e micropigmentação

Mario Gisbert

Eliana Giaretta

Introdução

Nos últimos anos a tecnologia e o know-how para a fabricação de cores para micropigmentação e tatuagem tem convergido.

Na Espanha, por exemplo, ambos os setores, unidos desde 2003 por uma legislação comum e globalizada (Resolução do Conselho da Europa ResAp2003(2)) tiveram que aprender um com o outro, evoluindo e adaptando-se, de maneira que houve vantagens de ambos os sistemas de produção, dando como resultado, numerosas opções para os profissionais da micropigmentação e da tatuagem.

Portanto, hoje em dia, muitos dos excipientes e preparações corantes (inorgânicos e orgânicos) utilizados na micropigmentação também são utilizados no setor da tatuagem e vice-versa para sorte dos profissionais de ambos os setores.

 Regulamentação

As dispersões de pigmentos utilizadas em micropigmentação são sujeitas a uma regulamentação rigorosa a nível europeu e nacional.

Conforme, as resoluções do Conselho Europeu sobre tatuagem e micropigmentação emitidas em 2003 e renovadas em 2008 advertem que as preparações corantes não podem conter uma série de ingredientes que podem ser prejudiciais para a saúde, tais como as aminas aromáticas ou os ingredientes considerados cancerígenos, mutagênicos ou reprotóxicos e outros suscetíveis de causar hipersensibilidade e o mesmo é exigido no Brasil pela ANVISA que é um órgão do Ministério da Saúde.

 Preparações corantes

É importante saber que todas as preparações corantes para micropigmentação e tatuagem combinam as bases de cores orgânicas e/ou inorgânicas com excipientes (veículos) de diversas formas, podendo ser apresentadas em formas hidrofóbicas ou hidrófilas.

As bases

Os corantes naturais tanto de origem vegetal como animal estão proibidos como ingredientes, tendo, atualmente, sido substituídos por corantes sintéticos inorgânicos e orgânicos (estáveis, de confiança e com menos risco de provocar reações alérgicas).

As bases inorgânicas principalmente utilizadas são: dióxido de titânio, óxido de ferro vermelho, óxido de ferro amarelo, óxido de ferro preto, óxido de cromo anidro e ferrocianeto férrico.

No que diz respeito às bases orgânicas, as opções são muitas, embora as mais utilizadas mundialmente sejam: Carbon Black, Yellow 74, Blue 15, Orange 13, Orange 73, Red 254, Yellow 138, Blue 153 e Red 122.

Figura 1. Pigmentos inorgânicos. Cores opacas.

Figura 2. Pigmentos orgânicos. Cores vibrantes.

Os excipientes

Os excipientes utilizados na micropigmentação e na tatuagem podem ser classificados nos seguintes tipos tendo como referência a sua atividade: agentes estruturais, solventes, agentes viscosibiladores ou estabilizadores, emulsionantes, umectantes, conservantes antimicrobianos e “sequestrantes” ou ligantes, reguladores do pH.

Antigamente os excipientes eram considerados como os elementos necessários para a suspensão ou emulsão das bases orgânicas ou inorgânicas durante o processo de produção, além de dar estabilidade e conservação até ao momento da sua utilização.

Atualmente, sabe-se que os excipientes são os responsáveis de que as preparações corantes sejam hidrofóbicas ou hidrófilas.

Saiba que os excipientes são considerados uma peça essencial para a eficácia e eficiência da preparação do corante.

A obtenção de preparações hidrofóbicas ou hidrófilas depende da combinação dos excipientes, como tal, estes influenciam na facilidade de penetração na pele, na durabilidade e evolução da cor ao longo dos anos.

Preparação das tintas

A maioria dos profissionais têm preferências pessoais relativamente à natureza do pigmento e à viscosidade ou cremosidade desejada.

Algumas vezes as preferências variam dependendo das áreas tratadas. Quanto mais cremosa for a preparação corante, mais difícil será para a pele absorve-la, porém, o seu manuseio será mais simples. Portanto, a eficiência e eficácia das preparações corantes contrapõe-se à sua usabilidade.

Características das tintas Hidrófilas

  • Preparações corantes que se dispersam bem na água.
  • Possuem maior quantidade de carga pigmentar.
  • Mais líquidas, difíceis e arriscadas de manusear.
  • Maior facilidade de penetração na pele.
  • Menor necessidade de aprofundamento e traumatização.
  • Maior retenção.
  • Menor usabilidade. Maior eficácia.
  • Maior eficiência.
  • Adequadas para profissionais muito experientes.

Para saber se as preparações corantes que utilizamos são hidrófilas, basta derramar uma gota num copo de água.

Se a gota dissolver e funcionar como um corante na água, isto é, se a água ficar com a cor da gota derramada, significa que a preparação corante é hidrófila.

O resultado

Deste modo, é importante lembrar que a composição química das preparações corantes são apenas uma das muitas variáveis que intervêm no resultado da cor e na sua duração, que depende realmente da combinação ou soma de todos os parâmetros a seguir:

a) bases de cor (inorgânicas e orgânicas), excipientes (preparações líquidas ou viscosas, hidrofóbicas ou hidrófilas);

b) fototipo e subtom da pele, tipologia das agulhas (diâmetro, tupperware , rugosidade da ponta, agrupamento, disposição linear, circular, crescente, decrescente ou em forma de “U”);

c) velocidade do movimento (da máquina e da mão), penetração (profundidade, inclinação, pressão), posição (trajetória, projeção) e formas geométricas do traço.

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