11 Fatores Que Colaboram, ou Não, na Fixação do Pigmento

A fixação e durabilidade do pigmento na pele é um dos assuntos mais comentados e discutidos em qualquer grupo de micropigmentadores no Brasil e, quiçá, no mundo.

A princípio, 2 fatores já foram observados e debatidos por toda a classe, são eles:

  • A profundidade da agulha, que tem um efeito significativo na superfície da pele; e
  • O equipamento, que se não regulado corretamente pode criar fios mais grossos e robustos.

Sendo assim, separei 11 fatores que, se bem observados, podem fazer toda a diferença no seu trabalho.

Vale lembrar que alguns dos fatores abaixo enquadram-se somente no microblading ou somente no dermógrafo.

1. EQUIPAMENTO

Conforme citado acima, é importante considerar a precisão do equipamento utilizado. Máquinas digitais com tecnologia moderna implantam o sempre na mesma profundidade e na mesma frequência garantindo a qualidade e uniformidade dos fios.

Por outro lado, as máquinas de baixa precisão agridem excessivamente a pele da cliente, aumentando o processo de inflamação da cicatrização e ampliando, consequentemente, a expulsão excessiva do pigmento.

equipamento - fixação

Máquina Precisa

equipamento - fixação 2

Máquina Sem Precisão

2. ÂNGULO DA AGULHA

Outro fator a ser considerado é o ângulo da agulha com relação a pele, para cada propósito de trabalho usamos um perfil de agulha e um ângulo de implantação de pigmento.

Quanto maior o número de agulhas no perfil, mais suave e sombreado será o resultado e, consequentemente, menor a quantidade de pigmento teremos implantado.

Por esta razão, conheça os possíveis ângulos e suas funções na micropigmentação.

Técnica a 80 ou 90 graus agrupada/circulares

Permite implantar menos pigmento na pele, com maior profundidade e maior sangramento.

Quando trabalhamos neste ângulo, o pigmento tende a ser expulso em parte pela pressão das capas da pele com a saída da agulha.

90 graus - fixação

Representação gráfica da agulha entrando na pele a 90º.

90 graus - fixação 2

Expulsão de parte do pigmento pela pressão das camadas dérmicas.

Técnica a 45 graus ou oblíqua agrupada/circulares

Este ângulo permite implantar maior quantidade de pigmento superficialmente e com menor sangramento, com a vantagem que a cor resultante será mais fiel, pois o local do depósito está mais próximo da zona de refletância da luz.

45 graus - fixação

Representação gráfica da inserção da agulha na pele a 45 graus.

45 graus - fixação 2

O pigmento implantado a 45 graus tende a manter mais pigmento na pele pois não há tanta pressão dérmica e a cor final será mais fiel por estar mais perto da superfície.

Técnica 30 graus agrupada/circulares

Este ângulo facilita cobrir uma área maior e dar mais transparência na revelação da cor implantada com a menor quantidade de pigmento possível, devido a superficialidade que a tinta é implantada.

Em suma, todos os ângulos são úteis, fica a critério do profissional qual o efeito que se deseja.

3. NÚMERO DE PASSADAS PARA IMPLANTAR O PIGMENTO

Experiência é o maior professor para aprender qual é a quantidade de passadas de agulha ideal que o seu trabalho possa ter uma boa implantação.

Deve-se ter em mente que muitas passadas podem causar traumas excessivos na pele que, como dito no fator 1 acima, aumentará o processo de inflamação durante a cicatrização ampliando a expulsão do pigmento.

Cada profissional tem sua técnica e jeito de trabalhar, por isto, protocole o número de passadas ideal para você.

Mas lembre-se, quanto menor o número de passadas, menor será o trauma causado, menor será a inflamação e menor a quantidade de pigmento será expulsa.

4. AGULHAS

Utilize sempre agulhas de boa qualidade, mesmo que lhe custe um pouco a mais.

Agulhas de má qualidade perdem o poder de perfuração durante o procedimento, dificultando a implantação e exigindo mais passadas em cada fio.

 

Agulhas nunca devem ser reutilizadas, seja qual for a circunstância.

5. PIGMENTOS

Pigmentos com tecnologia de produção utilizam matéria prima (pó) de qualidade e com o tamanho das partículas equilibradas.

A granulometria, tamanho do grão do pigmento, é produzida em máquinas de moagem em laboratórios para que esse pigmento tenha um tamanho homogêneo; quanto mais homogêneo, melhor a implantação

Outro fator importante de se observar, e que não interfere na fixação mas devo alertar, é a esterilização do produto que deve ser feita com raio gama para que haja absoluta segurança biológica.

Fonte ilustração: Mario Gisbert

6. ANESTÉSICOS

Anestésicos devem ser tópicos e com o pH equilibrado, pois produtos que fogem do pH adequado podem alterar as características da pele e do pigmento reduzindo a qualidade da fixação.

7. PESO DA MÃO

Um fator importante que pode dificultar a fixação dos fios é o peso da mão do profissional.

Se trabalhada com muita pressão, a técnica provavelmente causará traumas excessivos na implantação e novamente, inflamação, regeneração e expulsão.

Por outro lado, mãos demasiadamente leves implantam pigmentos superficiais que serão expelidos rapidamente com a troca natural das células da pele.

8. VELOCIDADE DO TRABALHO

Outro fator importante na fixação é saber a quantidade correta de pigmento a ser implantado na pele e, para isto, velocidade correta do trabalho é essencial.

Cada máquina pede um ajuste e velocidades particulares e o fabricante deve oferecer um manual detalhado para usar o equipamento.

A agulha tem que invadir as camadas da pele, deixar o pigmento e sair sem retirá-lo. Se o profissional trabalha rápido demais, esse ciclo não acontece, se trabalha devagar, implanta mais tinta do que deveria.

9. CONSUMO DE ÁLCOOL

Um grande vilão no processo cicatricial, é o consumo abusivo do álcool que atrapalha a recuperação dos tecidos de forma multifatorial.

O álcool tem ação desidratante no corpo humano e o ressecamento do tecido dificulta a migração das células de defesa e dos nutrientes. Esse produto químico também é responsável por causar alterações no processo de formação de coágulos, diminuindo a sua formação e deixando o processo de cicatrização mais lento.

10. TABAGISMO

A nicotina prejudica a circulação sanguínea periférica ao diminuir o calibre dos vasos sanguíneos.

Além disso, destrói as fibras de colágeno ao diminuir a umidade e comprometer a hidratação, deixando a pele acinzentada e opaca. A nicotina também diminui os níveis de vitaminas na pele e prejudica a cicatrização e a estabilização dos pigmentos, uma má cicatrização resulta em má fixação.

11. ASSENTAMENTO DO PIGMENTO

A vasodilatação e a traumatização da pele provocada pela agulha ao implantar o pigmento causará a ativação do sistema imunológico para socorrer aquela agressão;

Por meio da regeneração, nosso organismo eliminará parte do pigmento implantado, pois o considera um corpo estranho.

Nesse processo a pele se fechará defendendo-se de possíveis microrganismos externos e a perda de pigmento já não se dará mais por esse caminho.

Por isso, enfatizamos que é importante não retirar a microcrosta, casquinha, do ferimento, para que as plaquetas não voltem ao local do ferimento para recuperar a ferida novamente e, assim expulsarem mais pigmentos.

BÔNUS: CONDIÇÃO DA PELE

O tipo de pele deve ser muito bem avaliado antes de fazer o procedimento, pois disso também dependerá a duração do implante.

Pele clara: Pessoas com essa característica de pele são extremamente vascularizadas; logo exige-se cuidado na hora do implante de pigmentos para que não haja invasão significativa nos capilares causando ferimentos excessivos.

Pele escura: Indivíduos com essa característica de pele apresentam maior resistência cutânea, portanto, agulhas muito finas não são adequadas; às vezes, é necessário trocar mais de uma agulha em um único procedimento devido à perda da capacidade de perfuração.

Pele oleosa: Esse tipo terá o resultado menos duradouro, pois os pigmentos estarão circundados por glândulas sebáceas em alta atividade, comprometendo o tempo de permanência do pigmento na pele, principalmente na técnica de fio a fio.

Pele madura: Essa pele terá a maior durabilidade de todos os tipos, pois o ciclo da renovação celular é mais tardio devido o desaceleração do metabolismo em relação à idade.